jlg
cinema

  rj  
Sublime Tentação

Um filme muito bem realizado mas, sob diversos aspectos, sem maiores pretensões, “Friendly Persuation” levou, parece que inexplicavelmente, as palmas de ouro do Festival de Cannes.
Wyler ainda em plena forma, malgrado já se denote com facilidade a diluição de sua capacidade inventiva, consegue manter sempre em bom nível o desenrolar da película, aliás demasiada longa para uma mera balada aos quakers.
A fotografia de Ellsworth Fredricks avulta em várias passagens como o ponto alto, obtendo o camera-man alguns efeitos paisagísticos admiráveis, como o instante em que Gary Cooper e Dorothy McGuire deixam, pela manhã, o celeiro onde passaram a noite. Determinados trechos fazem mesmo recordar a concepção oriental de estampas.
Como foi frisado em artigo anterior, o nome do cenarista, Michael Wilson, não figura no letreiros da fita por se tratar de pessoa non grata ao reacionário Comitê de Atividades Anti-americanas e tal fato foi motivo de protestos em Cannes. Realmente, mesmo que o artista seja um delinqüente notório, esta característica não invalida o que levou a cabo noutro terreno. Porém, o paraís da intolerância não percebe sutilezas desse teor, e toma medidas que, como no caso de Michael Wilson, está, antes de tudo, na esfera do ridículo.
O script se apresenta bem filtrado, conciso e claro no que tange à observação das partes do entrecho isoladamente. Acreditamos contudo que, na hora do trabalho de montagem, deveria-se experimentar a eliminação de alguns trechos que ocorrem ad marginem da ação principal, qual a seqüência em que o chefe da família quaker e o filho mais velho visitam viúva e as três filhas. A farsa em questão não nos parece exalar o sabor cômico pretendido. Assim também o são outras cenas, demasiado meticulosas no esmiuçar os tiques dos diversos temperamentos dos componentes da família.
O celulóide cresce mais quando o impacto dramático aflora, isto é, a partir do momento em que Antony Perkins segue para a luta contra os rebeldes sulistas. Wyler tira excelente partido da ânsia do rapaz com rifle em punho enquanto aguarda a chegada do inimigo, criando um jogo tensional de acordo com a tessitura da seqüência. Outrossim, o choque entre Gary Cooper e o rebelde que liquidou o seu vizinho com o qual apostava corridas aos domingos – está focalizado com bastante vigor quanto ao entrechoque dramático.
Os múltiplos acidentes verificados durante a visita à feira oferecem um colorido vivaz, um excelente ritmo descritivo.
Entre as interpretações, avulta Dorothy Mc Guire, porém todos os atores cujo role possui certa evidência estão muito bem dirigidos e aproveitados: inclusive o introspectivo Perkins.

Jornal do Brasil
03/11/1957

 
Uma Odisséia de Kubrick
Revista Leitura 30/11/-1

As férias de M. Hulot
Jornal do Brasil 17/02/1957

Irgmar Bergman II
Jornal do Brasil 24/02/1957

Ingmar Bergman
Jornal do Brasil 03/03/1957

O tempo e o espaço do cinema
Jornal do Brasil 03/03/1957

Ingmar Bergman - IV
Jornal do Brasil 17/03/1957

Robson-Hitchcock
Jornal do Brasil 24/03/1957

Ingmar Bergman - V
Jornal do Brasil 24/03/1957

Ingmar Bergman - VI (conclusão)
Jornal do Brasil 31/03/1957

Cinema japonês - Os sete samurais
Jornal do Brasil 07/04/1957

Julien Duvivier
Jornal do Brasil 21/04/1957

Rua da esperança
Jornal do Brasil 05/05/1957

A trajetória de Aldrich
Jornal do Brasil 12/05/1957

Um ianque na Escócia / Rasputin / Trapézio / Alessandro Blasetti
Jornal do Brasil 16/06/1957

Ingmar Berman na comédia
Jornal do Brasil 30/06/1957

562 registros
 
|< <<   1  2  3   >> >|