Um filme tipicamente da média dos padrões de Hollywood: reconstrução de época em estúdios, personagens históricos, um diretor (Joseph Sargenti) que é um bom profissional, mas raramente manifesta algum lance criativo, ritmo escorreito, fluente (a chamada noção de continuidade), com a monotonia sempre à distância, fotografia bem cuidada e um acompanhamento musical nos padrões de praxe de autoria de Jerry Goldsmith.
Gregory Peck é quase tudo em matéria de MacArthur, o General Rebelde. Maquilado ao máximo possível para tentar um mínimo de semelhança com o General, mesmo assim, não consegue convencer a quem conheceu este último através dos jornais cinematográficos. E obrigado a inventar alguns cacoetes que artificializaram o personagem, sempre dentro do tal esquema do Bem contra o Mal. As tomadas do resto de Peck, em primeiro plano, são geralmente feitas de baixo para cima a fim de conferir a sensação de ascendência sobre o meio que o cerca. A única concessão àqueles que não simpatizavam com suas posições políticas ou suas concepções de estrategista é apresentar a ânsia permanente de MacArthur por promoção pessoal, sempre posando, sempre rodeado por fotógrafos e imprensa, a esperar que os visores registrem momentos históricos.
Roosevelt e Truman não foram, entretanto, tratados com o mesmo beneplácito pelos roteiristas. O primeiro é apresentado como um cínico, embora acabasse por endossar os pontos-de-vista de nosso herói. O segundo – bem interpretado por Ed Flanders sob uma respeitável carga de maquiagem – dá a impressão de um provinciano falastrão e maldizente. E os outros militares (Bradley, Nimitz, Marshall, etc) viram pó quando Gregory se aproxima. Tudo isso seria válido se lançado como perspectiva pessoal de MacArthur. Mas o filme é realizado como se seus autores estivessem em campo neutro – o que denota um parti-pris sem alternativas. Nada convida a um ato de reflexão. Não é um filme político – é mera diversão.
Jornal do Brasil
01/12/1978