Aí está o exemplo típico do filme competente, bem administrado, feito para divertir e que atinge o seu objetivo. Vê-se que Hollywood ainda existe, com a sua sofisticação insuperável, tendo agora como um dos principais representantes desse mood o diretor Blake Edwards, que produziu e comandou o palco de filmagem em toda série The Pink Panther (A Pantera Cor de Rosa), da qual esta Vingança da Pantera Cor de Rosa é o quinto título. Os outros foram A Pantera Cor de Rosa, Um Tiro no Escuro, A Volta da Pantera Cor de Rosa e A Nova Transa da Pantera Cor de Rosa.
Blake Edwards, que, mais do que nunca, havia mostrado sua sofisticação de estilo em Breakfast at Tifanny’s, corresponde a uma linhagem de cineastas, que vem de Ernst Lubitsch e deságua em Stanley Donen. Seus atores são geralmente muito bem escolhidos, mesmo para uma série mais divertida e despretensiosa, como a dessa Pantera. E o forte apoio para sua grande invenção anedótica – o desastrado Inspetor Clouseau (ele exige ser chado de inspetor-geral) – está em Peter Sellers. Desde o início de sua carreira, uma indiscutível revelação de intérprete, Selllers já brilhou intensamente em duas realizações de Kubrick: Lolita e Dr. Fantástico. Ao inspetor (geral) Clouseau ele propicia o máximo de histrionismo possível a um herói anti-Bond. Ou melhor, um 008 ao contrário, ao sabor do acaso, da falta de intuição. Trata-se de criar uma parafernália de atitudes e situações caricatas.
A Vingança da Pantera Cor de Rosa, nesse sentido, é um dos melhores filmes da série. Os disfarces ou semelhanças incidentais de Clouseau são hilariantes, principalmente os de Toulouse-Lautrec e do mafioso (um homem rigorosamente quadrado no aspecto físico). O ritmo mantém-se instigante, com o acompanhamento musical de Henry Mancini, sempre eficiente, e a excelente cinegrafia de Ernie Day. Mas os melhores elogios ainda devem ficar reservados para os créditos de De Patie-Frelang – uma pequena obra-prima de animação.
Jornal do Brasil
19/01/1979