O Magnata Grego (The Greek Tycoon), sem grandes ambições, constitui mais um êxito na carreira do diretor J. Lee Thompson, dando conseqüência a um roteiro de Mort Fine, baseado em argumento do mesmo Fine, Nico Mastorakis e Win Wells. Como ninguém ignora, tudo gira em torno do romance entre Jackie Kennedy e Aristóteles Onassis.
O filme, apesar das concessões de praxe, é muito bem realizado naquele sadio clima de Hollywood. A arte do espetáculo, do desligamento intencional. E, mais uma vez, a ficção, em matéria do encantatório, supera a vida real. Jacqueline Bisset é muito mais bonita e, até mesmo, classuda, que Jacqueline Kennedy (ou Onassis), e Anthony Quinn – careteiro e cacoeteiro, não sendo mais o grande ator de outras jornadas – engole fisicamente o grego, armador e festivo, imperador dos petroleiros.
Dado o handcap de não levar a sério boa parte da ligação dos acontecimentos com a realidade, o filme flui, temos seqüências de interesse. Sejam as cenas onde os flashes dos fotógrafos, à noite, embranquecem os rostos de Liz e Theo (Jackie e Aristóteles) ou a cena final, quase felliniana, onde o potentado, sabedor da morte próxima, dança com homens humildes à beira do cais. É a volta às origens, enquanto Jacqueline viaja para Paris.
Como frisamos, trata-se de uma fita sem grandes pretensões. De um lado, ganhar dinheiro à base de um argumento em torno de um casamento que sacudiu o mundo. De outro, divertir o espectador inclusive com pitadas de tragédia bem elaboradas. O diretor J. Lee Thompson não atrapalhou a administração do espetáculo com nenhuma idéia original. É um profissional, assim como bons profissionais são o autor do acompanhamento musical, Stanley Myers, e o fotógrafo Tony Richmond. Quanto a saber quem era a vítima, quem tinha a culpa, o filme é flou, não se define.
Precária e projeção no Rian.
Jornal do Brasil
02/03/1979