Em primeiro lugar estranhamos o título. Por que A Ilha dos Prazeres Proibidos, se estamos diante do vale-tudo ético e estético e que traduz o oposto ao nirvana do Sr Armando Falcão? De fato, após a sessão, ninguém sabia que prazeres estavam proibidos. Quem sabe? O bom senso, o bom gosto, o senso de humor.
Seria uma injustiça., face à submetalinguagem, ao subgodardismo, classificas o filme como pornochanchada. Preferimos dizer (já que não nos especializamos na matéria) que inicia ou continua o ciclo do pornosadismo. Na lliha, a atividade sexual e assassina é intensa. As mulheres, dado o dia-a-dia incessante, parece que inventaram outra espécie de pílula: não a anticoncepcional, hoje em dia consagrada pela alta. sociedade, classe média e esquerda festiva, mas a pílula antimenstrução. E os personagens do sexo (?) masculino, apesar do raquitismo da maioria, exibem um vlgor e uma disposição que fariam arrepiar a Sra Ursula Andress.
Na verdade, estavam brincando e, dessa vez, parece que nem foi com o dinheiro da Embrafilme. O enredo gira em torno da missão de uma jornalista que deve ir à ilha e matar pessoas. A atriz que interpreta a jornalista tem um bom corpo. Do despe-despe participam mais quatro muiheres. Sangue, suor e sexo. Só faltaram Safo, o Marquês de Sade e o delegado Sérgio Fleury. Muito ruim a projeção do Art-Palácio-Copacabana, contemplado com o abacaxi farfalhante. E quanto à faixa sonora, nada se ouve. Também, não era preciso.
Jornal do Brasil
16/03/1979