Alucinada pelo Desejo: o título já é de uma originalidade de se arrepiar. E os produtores mexicanos, peruanos ou o Sr Nilo Machado não haviam pensado nisso? Pois é, o empresário está hospedado no hotel quando vê a moça bonita e queixuda reclamando, na recepção, por não terem reservado seu apartamento. Fulminantemente, ele oferece o seu, para o espanto do gerente (quando a maioria dos gerentes não deveriam ficar surpresos com tais gentilezas). No quarto, depois do banho e da provocação de praxe, a cargo da moça, começa o despe-despe, come-come e bebe-bebe. Aí, uma falha de produção: o uísque é nacional, e a marca, das piores. Ora, todo empresário que se preza não bebe uísque nacional. De qualquer maneira fica, os dois, três dias inteiros fechados no apartamento, numa inspiração grotesca do Império dos Sentidos e O Último Tango em Paris. Só que estes dois filmes estão proibidos e Alucinada pelo Desejo está aí mesmo, nas telas, numa demonstração edificantes do elevado critério da nossa Censura.
O que ninguém entendeu, nem por certo os censores, foi como este personagem cinqüentão deu conta do recado numa olimpíada sexual de 72 horas. Depois, a mulher desaparece, vem a obsessão de praxe e uma ridícula surpresa no final. Pensávamos que Sérgio Hingst – um ator treinado no bergmanismo tupiniquim – quisesse imprimir um mínimo de sisudez. Nada disso,. As suas gargalhadas, no desfecho, são dirigidas aos espectadores. Muito logro para ver se fatura alguma coisa, à base de nudismo.
Jornal do Brasil
30/03/1979