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Alain Robbe-Grillet, L'Anne Derniere à Marienbad, Les Editions de Minuit, Paris, 1961, 172 pags

Para certos puristas, o cine-romance virá transformar o roteiro cinematográfico numa peça de teatro, o que equivale dizer: no momento de execução, aquele e esta proporcionarão resultados idênticos com diferentes meios. A concepção de Robbe-Grillet e a execução de Resnias, porém, dizem o contrário. Um dos mais perturbadores filmes da história de cinema, "O Ano Passado em Marienbad", contou com a colaboração de um cenarista que pela primeira vez escrevia um roteiro para o cinema, mas habituado a escrever romances: "Les Gommes", “Dans le Labyrinthe" etc. Era de se esperar, pois, que Robbe Grillet se deixasse levar por certa sedução “literária" ao criar-se ''L' Année Derniêre" para o cinema. Suas palavras, no prefácio do livro em questão, esclarecem, para quem não viu o filme, seus pensamentos sôbre a posição do cinema e o lugar que lhe compete: "C'est ce qui fait, justement, que le cinéma est un art: il crée une realité avec des formes. C'est dans sa forme qu'il faut chercher son véritable contenu. Il en va de même pour toute oeuvre d'art, dans un roman par exemple. Le choix d'un mode de narration, d'un temps grammatical, d'un rythme de phrase, d'un vocabulaire, y a plus de poids que l'anecdote ellemême. Aussi n'imagine-t-on pas un romancier qui se contenterait de founir une anedocte à un "metteur-en-phrases” qui, lui, rédigerait le texte à livrer au léeteur Le projet qui préside à la conception d'un roman comporte à la fois l'anedocte et son écriture; souvent même c'est da seconde qui a l'anteriorité dans la tête du créateur, comme un peintre peut rêver d'un tábleau tout en lignes verticales avant de aonger à représenter un quartier de gratte-ciel. Et de même, sans doute, pour un film: concevoir une histoire à filmer, il me semble que ce devrait être déjà la concevoir en images, avec tout ce que cela comporte de précisions non seulement aur les gestes et les décors, mais
sur la position et le mouvement des appareils, ainsi que sur la sucession des plans au montage".
Não foram utilizados termos técnicos, tal como se faz num roteiro, nesta adaptação que o leitor não especialista pode perfeitamente acompanhar e entender. O próprio Robbe-Grillet não é, como já se disse, um "expert" em roteiros. Talvez êste fato tenha levado muitos a afirmarem a superioridade dos diálogos (também de autoria de Robbe-Grillet) sôbre o roteiro. A perfeita integração entre aqueles e êste torna, a nosso ver, inutil qualquer apreciação comparativa. Senão vejamos um exemplo (p. 113):

Gros plan du visage de X, écoutant A invisible.
Voix de A: “Qui êtes-vous?"
Gros plan du visage de A, écoutant X invisible.
Voix de X: "Vous le savez".
Gros plan du visage de X, écoutant A invisible.
Voix de A: Comment vous appelez-vous?"
Gros plan du visage de A, écoutant X invisible.
Voix de X: "Ça n'a pas d'importance".

O equilibrio intrínseco é alcançado graças ao expediente simplíssimo da harmonia entre os diálogos e as tomadas. Quando aqueles alcançam certa complexidade, estas o acompanham através de rebuscamentos formais estabelecidos com precisão, como na sequência da estátua (p. 73):

A: “Non... Je n'ai pas envie... C’est trop loin...
X: "Suivez-mof, je vous en prie.
Em même temps, X tend la main vers A, pour l’inviter à le suivre. Mais elle, au contraire, se recule un peu en faisant "non" de la tê te.
En gros plan: A faisant "non" de la tête. Visage sérieux, imperceptiblement effrayé. On ne distingue plus tien du décor, autou de ce visage.
On entend la voix de, “off", qui répete exactement, comme un écho (mais à peine plus neutre, et nettement plus basse):
Voix de X: "Je vous en prie".

Exaustivamente analisando pela ensaística e pela critica, o filme de Resnais não deixa margem a duvidas sôbre o papel importantíssimo destinado a desempenhar no futuro do cinema. É tôda uma possibilidade de dar novas dimensões ao contexto da avaliação analítica do tempo e do espaço que ressurge, como num proustiana busca das imagens perdidas.

O Estado de S. Paulo
13/07/1963

 
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