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Preâmbulo a um filme raro: "Marienbad"

"Marienbad", a obra-prima, o filme de genio, nos desmente, nos amesquinha, nos sufoca, leva-nos à situação em que as palavras são inuteis, as definições, algemas.
O filme de Resnais não faz empalidecer apenas todas as fitas da semana, não é somente o candidato a um posto convencional de um dos dez melhores do ano.
Filme dificílimo, o mais anticomercial que já foi feito, o mais "difícil" de todos os que já surgiram desde que os Lumiere descobriram o cinema. Contudo - e talvez devido a isso - em nossa opinião, a qual se baseia em nosso cabedal cinematico e nossa memoria (acrescidos ou formados pelas reminiscencias, influencias e ensinamentos que absorvemos ou que nos vieram das memorias, dos cabedais e dos padrões de aferição artística que foram sendo empregados pela critica de todas as latitudes e epocas), é um dos dez maiores filmes não do ano, mas sim de toda a História do Cinema.
Vimo-lo apenas duas vezes. Na primeira sofremos o seu impacto. Sofremos o impacto de verificar que não era a obra que havíamos (oh, nocivo vicio de críticos e espectadores!) imaginado quando liamos as referencias que se faziam à sua realização. Ou, depois, quando obteve o exito de critica na França, a que se seguiu sua comica rejeição em Cannes, e o premio de Veneza - em verdade um premio inacreditavel, um milagre acontecido, o primeiro verdadeiro, indiscutível premio de toda a existencia desse festival.
Imaginavamos um grande filme, com certas grandes características. Um filme, ainda e sempre de certo modo, dentro das melhores possibilidades "revolucionario-classico-permanentes" da Sétima Arte. Mas vimos algo mais, algo inesperado. Um filme que, realmente, é a primeira real revolução, a primeira obra totalmente audaciosa e liberta de compromissos que o cinema já produziu.
Descrevê-lo, defini-lo, explicá-lo será tarefa ardua, talvez impossível. Mas, compreendê-lo, sentilo, não. Sessenta anos de ansias e fervores cinematico esteticos estiveram prenunciando-o, convergiam para ele. Como aliás sempre deve ser, sempre só pode ser: com "Caligari", com o que “Caligari" era, significou e, sobretudo, com o que "Caligari" devera ter sido; com todos os fantasmas e os milhares de imponderaveis e intensidades que fizeram a ronda do Expressionismo; com Proust e o universo dos pintores alemães; com "O Morro dos Ventos Uivantes"; com o prenuncio de "Citizen Kane", que aliás veio de "Gloria e Poder" de William K. Howard e Preston Sturges, surgido sete anos antes do filmes de Welles; com o fenomeno Bergman, com a cruel contensão japonesa; com Antonioni e "La Notte".
Assim de momento só conseguimos nos perguntar: sua posição, a posição de "Marienbad" entre as três ou quatro, as duas ou três, as duas maiores obras cinematograficas, não será ainda mais indiscutível do que podemos parecer agora, em que estamos dominados pelo impacto tão recente, pela impressão tão virgem?
"Marienbad" é "o filme". Filme obrigatorio. Filme Catedral.

O Estado de S. Paulo
10/11/1962

 
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