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Lyz & Burton personagens de Graham Greene

Graham Greene é um dos escritores mais presentes do cinema. Várias de suas obras já foram adaptadas para à tela, algumas delas com bastante êxito, não apenas de bilheteria (para a qual o nome de GG ajuda), mas também sob o ponto de vista estético. As vêzes o próprio escritor também colabora na feitura dos roteiros ouo dos argumentos baseados em seus romances. Como exemplo, basta citar algumas fitas: Brighton Rock (aliás, o seu romance que, em 1938, marcou concretamente a conversão do autor ao catolicismo), filmado na Inglaterra; The Heart of the Matter (O Coração da Matéria, título ridículo em português), considerado um dos seus principais romances; The End of the Affair, estrelada por Van Johnson, que não obteve grande sucesso - talvez a mais infeliz entre as adaptações de GG; A Gun for Sale, realizada em 1942, com Alan Ladd; em 1949 e 1950, respectivamente, dois dos maiores sucessos cinematográficos, ambos dirigidos por Carol Reed, então no ápice de sua carreira de cineasta: The Third Man (O Terceiro Homem), estrelado por Joseph Cotten e com uma aparição estupenda de Orson Welles, e The Fallen Idol (O ídolo Caído), uma fita de suspense no melhor estilo Hitchcock, tendo Ralph Richardson no papel principal; The Power and The Glory, talvez o maior romance de Greene, foi filmado por John Ford, com Henry Fonda no papel principal, e foi também uma realização saudada pela crítica; Our Man in Havana (Nosso Homem em Havana) marcou nôvo encontro Greene Reed, embora sem o mesmo êxito dos anteriores; enfim, outro filme muito elogiado foi The Quiet American (O Americano Tranquilo), com Audie Murphy no protagonista e dirigido pelo sofisticado Joseph L. Mankiewicz.
Agora, sob a direção de Peter Glenville (também produtor), acaba de ser terminada a transposição cinematográfica da novela Comediantes editada pela Civilização Brasileira (que, no Brasil, terá o titulo de Os Farsantes), onde Graham Greene escreveu. especialmente o argumento. Tendo à frente o casal Lyz Taylor - Richard Burton, The Comedians apresenta um all-star cast, incluindo os nomes de Alec Guinness, Peter Ustinov, Paul Ford e a veteraníssima griffithiana Lillian (Broken Blossoms) Gish. Tudo em panavision e metrocolor, fotografado por um dos melhores especialistas franceses, Henri Decae.
O argumento tem como pano de fundo um pequeno país, dominado por uma ditadura violenta. Lá chega um navio, trazendo alguns passageiros, que irão, juntamente com aquêles já instalados na terra, compor os fios da trama de natureza política e romanesca. Brown chega de volta a fim de ficar novamente à testa de um hotel e reatar o seu romance com Martha, mulher dembaixador Pineda. O major Jones, mal desembarca, é prêso, como inimigo do regime. E há o casal Smith, o marido, candidato derrotado à presidência dos Estados Unidos, pelo Partido Vegetariano, que vai ali desempenhar uma missão filantrópica. Dentro disso tudo, o jôgo de paixões, idealismo e ambições.
The Comedians assinala o 35º filme da carreira de Elizabeth Taylor e, ao mesmo tempo, o sétimo que ela interpreta ao lado de Richard Burton. Basta recordar alguns dêles: Cleópatra, The Vips, A Megera Domada, The Sandpipers, Quem Tem Mêdo de Virginia Woolf? Para fazerem The Comedians, foram até Daomé, na Africa Ocidental; onde a maior parte do celulóide foi rodada. Quanto a Alec Guinness, até certo ponto quase tão famoso como a dupla Lyz-Burton, já foi protagonista de Greene no cinema, em Our Man in Havana. O seu papel em The Comedians é aparentemente o mais ambíguo. Peter Ustinov, outro notável ator no cinema e no teatro, compõe a figura do embaixador que, ao final, sairá da ilha, como persona non grata, e levando a mulher, enquanto Brown se decide pela revolução.
Há pouco, Lyz Taylor recebeu seu segundo Oscar por Who Is Araid of Virginia Woolf? Referindo-se à ela, Richard Burton diz que, aos 35 anos, além de ser uma das mulheres mais lindas do cinema em todos os tempos, encontra-se no pináculo de sua carreira. "Gosto mais de trabalhar com Elizabeth do que com qualquer outra atriz." "Sua técnica é insuperável, embora seja o resultado de simples intuição." "Não obstante a minha longa tarimba de palco e cinema, muito tenho aprendido atuando com Elizabeth."
Quanto a Peter Glenville, acumulou as funções de diretor com aquelas de produtor, a fim de rodar Os Farsantes para a Metro Goldwyn Mayer. Também por coincidência, êle há bem pouco tempo teve ocasião de dirigir Richard Burton, que fêz o papel do arcebispo de Canterbury, em Beckett (já exibido no Brasil), juntamente com Peter O'Toole. Não se trata de cineasta de primeira linha, viciado principalmente na tendência de vincular o filme a normas literárias ou teatrais. E, por isso mesmo, talvez o seu principal mérito até hoje seja o de se caracterizar como um diretor seguro de atôres. E, em The Comedians, pelo menos isso não falta: bons atôres.

Correio da Manhã
23/01/1968

 
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