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A lei de Lester: o riso como instrumento

Embora já houvesse feito outros filmes anteriormente, o nome de Richard Lester explodiu junto com o dos Beatles, com a estréia do notável A Hard's' Day Night (Os Reis do iê-iê-iê), o qual um diretor veterano, como Jean Renoir, saudou como sendo a obra cinematográfica que mais o impressionara naqueles últimos anos. Os Beatles, por seu turno, revelaram-se também como figuras de cinema, movimentando-se em grupo e conferindo um dinamismo próprio ao gênero comédia. Todavia não se tratava apenas do aspecto musical, das correrias e do non sense: por detrás da irreverência sofisticada A Hard's Day Night exprimia uma densidade existencial, uma espécie de hino à libertação da juventude.
No seu filme subsequente, The Knack (A Bossa da Conquista), Lester quis, sem o mesmo sucesso, espelhar o tema outra vez. Sem o suporte da presença dos Beatles, usou como protagonista aquela feia bonita, a lírica Rita Tushingham, que fôra lançada com êxito por Tony Richardson, em A Taste of Honey. The Knack abordava as situações vivenciais dos jovens de classe média, utilizando a ação dos personagens a movimentar décor e objetos ao nível do absurdo.
Help! (Socorro!), novamente com os Beatles, filmado em côres com excelentes efeitos plásticos, foi a sua realização mais non-sensical. Uma fita em ritmo e espírito de seriado, consumando uma espécie de auto-sátira internamente. O mood e o virtuosismo adequado serviram para coroar Richard Lester em definitivo como comediógrafo, a lidar com uma das tendências mais difíceis e complexas do cinema, desde que surgiu o advento da era sonora. Se fizermos, de passagem, um levantamento dos bons diretores de comédia, ver-se-á que a lista nos últimos tempos não é das mais fartas e jamais se comparará com a glória silenciosa e simultânea de Chaplin, Buster Keaton, Max Linder, Harold Lloyd, enfim daquele período onde sobrepairava a técnica
de Mack Sennett.
No cinema falado, a era dos filmes velozes cedeu, até por motivos estruturais, à sofisticação, à ironia, ao requinte, que envolveram variantes como a screwball comedy. Além disso, o riso era o pretexto para o musical, Lubitch, por sua vez, marcou um período com o seu famoso touch, em obras marcantes de sua fase de Hollywood, como A Viúva Alegre, Anjo ou Ninotchka. Foi durante longo tempo o gênero uma hegemonia maciça do cinema norte-americano, até que surgisse o quase bissexto Jacques Tati, com Jour de Fête, duas obras-primas, como Les Vacances de M. Hulot e Mon Oncle, tendo acabado agora de rodar Playtime. Os italianos, num plano abaixo ao teto Tati, entraram no mercado com a comédia pastelônica. Enfim, o espasmo Jerry Lewis.
Lester entrou na corrida. E corrida, misturada com o apêlo às fontes sennetianas, é a sua última fita, com o longo título: A Funny Thing Happened on the Way to the Forum (Um Escravo das Arábias... em Roma). Os romanos disparam na tela, numa fita rodada em côres, fotografada por Nicolas Roeg, baseada numa comédia musical, com o argumento em tôrno do escravo ladrão e mentiroso, Pseudolus, protagonizado por Zero Mostel. Ao lado de Mostel, Lester colocou outros comediantes de primeira linha, como Phil Silvers e o falecido Buster Keaton, em sua última aparição. Os nomes dos personagens já evidenciam o clima de "gozação": Erronius, Hysterium, Gymnasia, Vibrata, Panacea, Tintinabula. O filme inicia-se com Pseudolus cantando Comedy Tonight e apresentando o elenco.

Correio da Manhã
10/02/1968

 
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Revista Leitura 30/11/-1

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Robson-Hitchcock
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Jornal do Brasil 24/03/1957

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