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Melhores na França

A revista Cahiers du Cinéma, como de hábito, publicou a opinião de 74 pessoas, entre críticos e cineastas, a respeito dos convencionais dez melhores filmes estreados na França no ano de 1966. Realizando-se um cômputo entre aquelas listas chegamos à conclusão dos dez melhores, no todo, obedecidos os critérios de aferição adotados pelo Càhiers, aliás idêntico ao do nosso Conselho de Cinema. Esse resultado - note-se - é diferente daquele publicado pela revista em seu número seguinte, porque ela se limitou a aferir a opinião de seus redatores.
Extrair essa suma de opiniões é - para aquêles que se interessam pelo cinema em têrmos estéticos, de linguagem motovisual em processo - bem mais positivo do que as noticias sôbre Oscars e prêmios de Festivais, já que êstes últimos obedecem, não raro, a algumas opiniões de amadores, bem como a escolha dos júris atende sempre a injunções políticas, empresariais e até de crônica social. São os seguintes os filmes que obtiveram as dez primeiras colocações no cômputo:

1º - Au Hasard Balthazar, de Robert Bresson – 327,5 pontos.
2º - Masculin Féminin, de Jean-Luc Godard - 258 pts.
3º - Walk-Over, de Jerzy Skolimowski - 222 pts.
4º - Seven Women, de John Ford – 212,5 pts.
5º - La Prise de Pouvoir par Louis XIV, de Roberto Rosselini - 202,5 pts.
6º - Nicht Versöhnt, de Jean-Marie Straub - 196 pts.
7º - L'Homme au Crine Rasé, de André Delvaux - 191 pts.
8º - Falstaff, de Orson Welles - 189 pts.
9º - l Pugni ln Tasca, de· Marco Bellochio - 188,5 pts.
10º - La Guerre est Finie, de Alain Resnais - 147 pts.

Foram também muito votados os seguintes filmes: Red Line 7000, de Howard Hawks (143), Torn Curtain, de Alfred Hitchcock (135,5), Fahrenheit 451, de François Truffaut (105), Os Amôres de uma Loura, do tcheco Milos Forman (97,5), The Nakell Kiss, de Samuel Füller (65), The Professionals, de Richard Brooks (53,5), The Chase, de Arthur Penn (53), The Courtship of Eddies Father, de Vincent Minelli (51), Le Deuxième Souffle, de Jean-Pierre Melville (50,5), e Cul de Sac, de Roman Polanski (48).
Disso tudo, notar que Godard, que era tetracampeão, com quatro primeiros lugares em quatro anos seguidos, Godard que é cinema sessenta vêzes por minuto, ficou, com o seu Masculin Féminin, em segundo lugar. A fita de Walther Hugo Khouri, Corpo Ardente, figurou na lista de dois votantes, um dêles o cine-romancista Alain Robbe-Grillet.

Entre os dez melhores, apenas a realização de Ford, Seven Women (Sete Mulheres) já foi exibida no Rio de Janeiro. Entre os restantes citados, já se viu Red Line 7000 (Faixa Vermelha 7000), The Chase (Caçada Humana), The Courtship of Eddies Father. Enfim, notar que o grande premiado no festival de Cannes do ano passado, Un Homme et Une Femme, estreando agora aqui no Rio, nem conseguiu chegar entre os vinte primeiros.
Au Hasard Balthazar é um filme onde Robert Bresson, além da direção, se encarregou do roteiro. Ao som da música de Schubert, deslizam os sêres humanos vividos por intérpretes pouco conhecidos: Anne Wiazenslcy, François Lafarge, Philipe Asselin. As realizações de Bresson, mormente devido ao ritmo lento, são de tal forma anticomerciais, que talvez dificilmente, Au Hasard Balthazar seja apresentada ao público brasileiro. Até hoje, ninguém se interessou em lançar no Brasil a sua Joana D'Arc ou o superelogia do Pick-Pocket.
Masculin Féminin constitui uma adaptação livre de duas novelas de Maupassant consumadas pelo diretor Jean-Luc Godard. Como sempre, um filme onde a invenção é a meta, com o boulevtrsement das sintaxes consagradas. Ao lado de Jean-Pierre Léaud (aquêle ex-menino que começou sua carreira nos Quatre-Cents Coups, de Truffaut), estão Chantal Goya, Marlene Jaubert e Catherine Duport.
WaIk-Over também é fruto de um roteiro do próprio diretor polonês, Jerzy Skolimowski, já consagrado na Europa por muitos críticos, saudado inclusive por Jean-Luc Godard, Skolimowski também é um dos principais intérpretes, ao lado de Aleksandra Zawieruszauka. Depois da fase de Wajda, Münk e Kawalerowski, parece despontar como principal cineasta em seu país.
Seven Women, com um elenco respeitável - Anne Bancroft, Sue Lyon, Margaret Leighton, Flora Robson, Betty Field, Woody Strode - não foi, aqui no Brasil, mesmo pelo grupo fordiano, levado em grande consideração. Na França, entretanto, a sua quarta colocação, competindo com um número muito maior de estréias respeitáveis, demonstra que a ótica foi outra; ou de que o fordianismo ainda é, lá, um estado de espírito mais amplo.
La Prise de Pouvoir par Louis XIV é uma produção francesa em côres, a marcar o retôrno do italiano Roberto Rosselini que, algum tempo antes, decretara a morte (ou o seu desinterêsse) do Cinema. Nunca se sabe ao certo o que esperar de Rosselini; agora, pretendeu um espetáculo semididático, tendo a História como Ieitmotiv e o ater Jean-Marie Patte no papel do rei.
Nicht Versohnt (Não Reconciliados, na versão francesa do título) é uma produção alemã, baseada no romance de Heinrich Böll, com música de Bach e Bartok na faixa sonora, dirigida por Jean-Marie Straub e com Henning Hermssen, Danielle Huillet e· Ulrich Hopmann nos papéis principais.
L'Homme au Crâne Rasé, produção belga, dirigida por André Delvaux, reflete a vertente de um nôvo cinema já saudada com entusiasmo. O cinema belga não tem tradição, seja no mercado internacional, seja no âmbito criativo, Agora, começa-se a notá-lo, especiallnente por esta fita, que tem como protagonistas, Senne Rouffaer e Beata Tyskiewicz.
Falstaff (ou Chimes at Midgnight ou Campanadas de Medianoche) é mais um mergulho shakespeariano, isabelino, de Orson Welles, com filmagens na Espanha. Como de hábito, Welles já deu inúmeras entrevistas, procurando explicar as suas intenções com Fallstaff, explicando também os incidentes de filmagem e de produção. No elenco, volta Jeanne Moreau, que já aparecera na versão wellesiana do Processo, de Kafka.
l Pugni in Tasca é do jovem cineasta italiano, Marco Bellochio, que já estêve no Brasil, por ocasião do Festival Internacional do Filme, onde essa sua realização foi apresentada com sucesso. Autor também do roteiro (tendência atual de boa parte dos diretores), Bellochio traduz, de certa forma, a reação do nôvo cinema italiano, diante da linguagem dos consagrados Antonioni, Fellini, Visconti. I Pugni in Tasca tem Lou Castel, Paola Pitágora e Marina Masè nos principais papéis.
La Guerre est Finie é o último filme de Resnais, aquêle cineasta que, ao lado de Godard, deu a maior contribuição nos últimos anos para renovação de uma concepção de cinema, para a sua mudança estrutural, tornando-a mais aberta. Resnais, com Hiroshima Mon Amour e, principalmente, com L’Année Demiere à Marienbad, marcou uma presença a longo prazo na História do Cinema: Agora, La Guerra est Finie (com Yves Montand, Ingrid Thulin e Genevière Bujold, entre os protagonistas), feita após o ainda desconhecido entre nós Muriel, não parece ter causado o mesmo impacto dos filmes anteriores, embora figurando num difícil décimo lugar.

Correio da Manhã
21/04/1967

 
Uma Odisséia de Kubrick
Revista Leitura 30/11/-1

As férias de M. Hulot
Jornal do Brasil 17/02/1957

Irgmar Bergman II
Jornal do Brasil 24/02/1957

Ingmar Bergman
Jornal do Brasil 03/03/1957

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Ingmar Bergman - IV
Jornal do Brasil 17/03/1957

Robson-Hitchcock
Jornal do Brasil 24/03/1957

Ingmar Bergman - V
Jornal do Brasil 24/03/1957

Ingmar Bergman - VI (conclusão)
Jornal do Brasil 31/03/1957

Cinema japonês - Os sete samurais
Jornal do Brasil 07/04/1957

Julien Duvivier
Jornal do Brasil 21/04/1957

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