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Melhores da França

A revista Cahiers du Cinéma, berço da nouvelle vague, publicou a opinião de nada menos do que 68 pessoas, entre críticas e cineastas, a respeito de quais os dez melhores filmes estreados em Paris no ano passado. A divulgação dessa lista, feito o necessário cômputo total das classificações, torna-se bastante interessante, pois serve para denotar tendências da crítica francesa e, dentro disso, aquilatar o que se entende pelos rumos estéticos do cinema moderno, levando-se em conta que, em Paris, de um modo geral, é quase sempre lançadora em primeira mão da nata do cinema internacional.
Para extrair essa lista decisiva, usamos do mesmo critério que aquela revista utiliza, isto é, contar dez pontos para os filmes colocados por opinante em primeiro lugar, nove para o segundo e assim por diante, em ordem decrescente, sendo que nos casos de alguém pôr dois ou mais filmes numa dada classificação, extrai-se a média de valôres de colocação abrangidos no empate. Depois é somar o número de pontos obtidos por fita. Tal critério já é aliás, há quatro anos, adotado pelo nosso Conselho de Cinema do CORREIO DA MANHÃ, quande publica as listas de vários críticos brasileiros.
Pelo resultado atual, verifica-se que o diretor Jean-Luc Godard, com seu Pierrot Le Fou, facilmente colocado em primeiro lugar e batendo todos os recordes de contagem de pontos, já é tetracampeão daqueles levantamentos organizados pelo Cahiers, pois venceu em 1962, com Vivre Sa Vie, em 1963, com Le Mépris, e em 1964, com Bande à Part. Outro filme de Godard, Alphaville, ficou, com relação, agora, a 1965, colocado em quarto lugar.
Entre os dez melhores, j·á foram lançados no Rio de Janeiro Vagas Estrêlas da Ursa Maior, de Visconti, fita de abertura do Festival Internacional do Filme, aqui realizado em setembro do ano passado. O Corredor da Morte, de Samuel Füller, realização à qual a crítica brasileira, de um modo geral, deixou passar despercebida (inclusive por causa do seu péssimo lançamento num único e mau cinema) e Lillith, do falecido Robert Rossen, à qual a nossa crítica, em parte apreciou, em parte não conferiu maior importância. Quanto à Uma Família Fulera, mais um êxito do Jerry Lewis cineasta, está prestes a ser lançada entre nós. La Vieille Dame Indigne, de René Allio, décima colocada no cômputo dos 68 críticos franceses, ganhou aqui a gaivota de ouro do FIF, empatada com Help, que, aliás, obteve pouca votação no Cahiers.

É a seguinte a relação dos dez melhores:
1º - Pierrot le Fou, de Jean-Luc Godard - 405 pontos.
2º - Nattvardsgastern (Os Comungantes), de Ingmar Bergman - 231,5 pontos.
3º - Vagas Estrêlas da Ursa Maior (Vaghe Stelle dell'Orsa),
de Luchino Visconti - 231 pontos.
4º - Aphaville, de Jean-Luc Godard - 150 pontos.
5º - O Corredor da Morte (Shock Corridor, de Samuel Füller - 135 pontos.
6º - Cerny Petr (O Ás de Espadas), de Milos Forman (tcheco) - 129,5 pontos.
7º - Paris Vu par Rouch, de Jean Rouch - 124 pontes.
8º - Uma Família Fulera (The Family Jewels, de Jerry Lewis - 110 pontos.
9º - Lillith, de Robert Rossen - 108,5 pontos.
10º - La Vieille Dame Indigne, de René Allio - 90,5 pontos.

Foram também muito votados: La 317ème Section, de Pierre Schoendoerffer; King and Country, de Joseph Losey; Il Vangelo Secando Mateo, de Pier Paolo Pasolini; Le Bonheur, de Agnés Varda; Vidas Sêcas, de Nélson Pereira dos Santos (a demonstrar o prestígio do nôvo cinema brasileiro); The Disorderly Orderly (O Bagunceiro Arrumadinho), de Frank Tashlin (protagenizado por Jerry Lewis e também na iminência de ser estreado no Rio); Vendaval na Jamaica (A High Wind in Jamaica), de Alexander Mackendrick (anunciado para breve e já lançado durante o FIFl; Desna, filme soviético de Youlia Solutseva; Julieta dos Espíritos (Giulietta degli Spiriti), de Federico Fellini; e Beija-me Idiota (Kiss Me Stupid), de Billy Wilder, já apresentado entre nós.

Correio da Manhã
07/04/1966

 
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