Desde Funny Face, que o musical não se afirma em grandes alturas. Agora West Side Story, dirigido pela dupla Wise-Robbins, retoma o alto nível tão escasso. Robert Wise é ainda um dos grandes de Hollywood e um dos grandes do cinema e, aluando independentemente, prova-o nessa experiência, como o fêz logo antes com o vigoroso Odds Against Tomorrow. Um diretdr com uma linguagem essencialmente rítmica, tomada essa qualificação em sua contextura exterior - à base do corte e dos jogos de enquadramento e iluminação - aliado a um excepcional coreógrafo, que sabe apropriar funcionalmente os seus conhecimentos na adaptação ao cinema. Disso tudo, sai West Side Story - ritmo, euforia, dinamismo, invenção. E também presente outras das constantes de Wise: a sátira e/ou crítica social aos EUA e à anticivilização da violência. Trechos magníficos do cine-ballet a serem guardados: o intróito nas quadras de basquete, o encontro de Romeu e Julieta no número do salão de dança ou a luta e o exorcismo na garagem. E tudo ainda seria mais perfeito não fôsse a presença dos protagonistas, Richard Beymer - insuportável, aparentemente irregenerável (Visconti, quem sabe?) - e Natalie Wood, o protótipo feminino da estereotipação. Quando duetam, não há dúvida, o filme pára - o cinema some.
Correio da Manhã
11/11/1962