Na filmografia de Elia Kazan, composta de vários títulos valiosos, Vidas Amargas, ocupa imediatamente o segundo plano, logo após os hits de maior ênfase, ou sejam: Uma Rua Chamada Pecado, Um Rosto na Multidão e Baby Doll.
Não se pode dizer que neste filme de James Dean, esteja presente um Kazan tão grande como o da unidade da primeira obra citada, o da excelente arquitetura sub-Cidadão Kane do segundo, ou o da instigante simbologia e arrebatamento estilístico do terceiro. Vidas Amargas (East of Eden) possui um pouco de tudo isso fragmentado no seu cinemascope e nas suas côres que passam, desde a predominância do terno amarelo à fúria dos tons sombrios. Rever a obsessão pela luta entre o bem e o mal, invertendo-se a pureza dos irmãos bíblicos, não deixa de ser algo irrelevante depois de se conhecer Alain Resnais, isto é, a plena relatividade. Resta salientar, entretanto, o bom nível da realização, com trechos marcantes de ambiência e construção dramática. E as interpretações que o diretor arranca de alguns atôres, como Julie Harris, Raymond Massey e o próprio James Dean, na melhor de suas aparições: mais autêntico do que no desigual Juventude Transviada e menos desorientado do que no carnavalesco Giant.
Correio da Manhã
23/12/1962