De 15 a 26 de setembro, terá o Rio de 400 anos o seu Festival Internacional do Filme. E, para tanto, estarão abertas as portas da cidade a fim qe receber um contingente de celebridades internacionais do mundo cinematográfico, poucas vêzes reunido em matéria de quantidade e de qualidade. Pois, além de, grandes cineastas, de grandes críticos e historiadores da sétima arte, inúméros astros e estrêlas aceitaram o convite para aqui comparecer.
No dia 15, inaugurar-se-á o FIF, com a exibição do filme hors-concours, Vaghe Stelle DelI'Orsa, do grande diretor italiano Luchino Visconti, com Claudia Cardinale (Electra - século XX), no papel principal. No dia 25, será encerrado
no Maracanãzinho, com show e a distribruição de prêmios a serem conferidos pelos júris.
Na competição de filmes de longa metragem, já estão inscritas as seguintes realizações: pela Itália, El Greco, de Luciano Salce, com Mel Ferrer e Rossana Schiaffino; pela França, La Métamorphose des Cloportes, de Pierre Granier Deferre, com Lino Ventura, Charles Aznavour e Pierre Brasseur, e L'Heure de la Verité; pela Inglaterra, Help, de Richard Lester, novamente com os Beatles, e A High Wind in Jamaica, de Alexander Mackendrick, com Anthoriy Quinn, James Coburn e Gert Froebe; pelos Estados Unidos, Cheyenne Autumn, o último filme de John Ford, com James Stewart, Arthur Kennedy, Richard Widmark, Carrol Baker, à frente de um poderoso elenco, e Rapture, de John Guillermin; pelo México, Viento Negro, de Serrando Gonzales; pela Argentina, Los Guerrilleros, de Lucas Demare, com Arturo Garcia Buhr, Olga Zubarry e José Maria Langlais; pelo Japão, Sugata Sanshiro, de Seichiro Ichikawa, com Toshiro Mifune; pela Tcheco-Eslováquia, Atentado, de Jiri Sequem; por Portugal, Domingo à Tarde. Até o momento ainda se espera a inscrição de fitas que representarão outros países, inclusive a própria seleção brasileira.
O júri que julgará os concorrentes de longa metragem é dos mais respeitáveis já compostos em todos os tempos, faltando apenas a confirmação da vinda do diretor inglês Tony Richardson (Tom Jones, A Taste of Honey, etc.): Fritz Lang, Vincente Minelli, Leopoldo Torre Nilsson, Valério Zurlini, Edouard Molinaro, Paulo Carneiro, Nelson Pereira dos Santos e Adhemar Gonzaga.
Como hors-concours, no terreno da longa metragem, além da película de Visconti, Vaghe Stelle Dell'Orsa, o filme holandês, Todos os Homens, de But Haavsta, o polonês Manuscrito de Saragoça, de Wojcech Has, Alphaville, a última aventura inventiva de Jean-Luc Godard, que já obteve o Urso de Ouro do Festival de Berlim, tendo Ana Karina, Eddie Constantine e Akim Tamiroff nos papéis principais; Harlow, a biografia da famosa estrêla platinada, com Carrol Baker no papel-título, sob a direção de Gordon Douglas; e El Ojo en la Cerradura, do argentino Leopoldo Torre Nilsson.
Haverá o festival dos curta-metragens, com vários países inscritos, tendo entre os concorrentes uma realização de Saul Bass, o renovador dos créditos cinematográficos. No júri dessa modalidade; já estão confirmados os nomes do diretor inglês Jack Garfein, do português Fernando de Castro, do crítico italiano Gian Luigi Rondi e aguarda-se o comparecimento de dois nomes famosos na especialidade: Jiri Trnka e Norman Mc-Laren.
Duas retrospectivas correrão paralelamente ao FIF: a de Buster Keaton, com 12 fitas daquele que foi um dos maiores comediantes da sétima arte, e aquela do cinema brasileiro, com uma visão panorâmica de nossa história.
E outras iniciativas ainda estarão em curso nesse festival: o Congresso de Museus de Cinema, o Congresso de Historiadores e o Mercado Internacional do Filme, com o objetivo – êste último - de desenvolver o intercâmbio internacional de películas cinematográficas. O FIF não deverá ser apenas a competição e o acontecimento social. Será um estimulo à pesquisa e aos estudos estéticos da arte do século, um evento cultural dos mais significativos.
Correio da Manhã
31/08/1965