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Lean filma Pasternak

Boris Leonidovich Pasternak nasceu em Moscou, em 1890. Era filho de um pintor e de uma musicista, o que já poderia caracterizar a genealogia imagem-música de sua poesia. Estudou filosofia nas Universidades de Moscou e de Marburg. Durante a I Guerra Mundial, passou dois anos trabalhando na região do Ural. Logo depois, veio a revolução e foi nomeado para um pôsto no Comissariado de Educação. Ao mesmo tempo, e daí em diante, passava também a viver do que escrevia. Pois estreou com um volume de poemas em 1914. A seguir, vieram outros livros e começou a ter o seu nome alinhado entre os grandes poetas soviéticos do século, ao lado de Blok, Maiakovski, Biely (êste, maior ainda na prosa), Khlebnikov ou Essenin. A primeira coletânea de seus versos foi publicada em 1933, quando já, então, era encarado pelas autoridades como autor suspeito. Além disso, foi tradutor de grandes poetas de língua inglêsa, como Keats, Shelley ou o próprio Shakespeare; e caracterizou-se como grande cultor de outro grande poeta: Rainer Maria Rilke.
Pasternak havia sido também um novelista, sem despertar o mesmo entusiasmo como poeta. Mas, no fim da carreira, foi justamente um romance, como o
Doutor Zhivago, que lhe proporcionou a notoriedade que extravazou os limites do mundo intelectual. Enfrentou uma tremenda reação interna em seu país e - et pour cause - foi beneficiado com as manifestações no exterior, recebendo, por aquela obra, o Prêmio Nobel de Literatura. Manobras no xadrez da guerra fria. O Doutor Zhivago foi fulminantemente traduzido para uma infinidade de línguas, editado numa infinidade de nações. E foi uma violenta arremetida das tendências do degêlo na União Soviética. Pasternak morreu, em 30 de maio de 1960, aos 70 anos de idade.
David Lean nasceu em Croydon, a 25 de março de 1908. Desde os vinte anos de idade, instalou-se definitivamente nos estúdios cinematográficos, iniciando-se em quase tôdas as técnicas da linguagem fílmica. Assim é que foi assistente de fotografia, assistente de direção e montador. Dirigiu a sua primeira fita em 1942: ln Which We Serve. Logo a seguir, realizou This Happy Breed, em 1943, Blithe Spirit, em 1944, até que, em 1945, emerge o seu primeiro grande filme, Brief Encounter, com Celia Johnson e Trevou Howard nos principais papéis, e considerado por alguns estudiosos como um autêntico clássico do cinema. Para muitos, era um dos momentos mais pungentes como expressão dramática da angústia do cotidiano.
Daí em diante, a carteira de David Lean começava a escalada do êxito. Com a adaptação bem sucedida que fêz para a tela de dois romances de Dickens, Great Expectations (1946) e Oliver Twist (1947), passou a ser considerado, na época, um dos maiores ou mesmo o maior cineasta britânico. Curioso notar que, em Great Expectations, além dos protagonistas John Mills e Valerie Hobson, aparecia Jean Simmons, então uma adolescente, e que, em Oliver Twist, o atualmente superfamoso Alec Guinness, surgia, como coadjuvante, numa impressionante aparição - Fagin. Continuaram as suas filmagens, já quase sempre na base de superproduções, já agora traduzindo plenante o duplo êxito de público e de crítica: The Sound Barrier (os pilotos e a barreira do som), Hobson's Choice (uma excelente comédia), Summertime (um romance numa Veneza em technicolor), The Bridge of River Kwai e, há pouco, o lançamento sensacional do alentado Lawrence of Arabia, lançando também Peter O'Toole, como um nôvo astro.

Lean está filmando Pasternak. Ou o Doutor Jivago (que será intitulado nesta ortografia). No papel do protagonista, Omar Sharif terá a sua maior oportunidade. Mas há todo um alistar cast acompanhando-o pelas veredas do script, preparado por Robert Bolt, em côres e em panavision: Geraldine Chaplin, Julie Christie, Alec Guinness, Tom Courtenay, Rod Steiger, Ralph Richardson e Rita Tushingham. É mais uma superprodução (agora de Carlo Ponti) que dirige, procurando conciliar alguns imperativos estéticos com o gôsto das massas. E alguns objetos e situações com appeal para os grandes lampejes visuais: guerra, neve, ferrovias, cavalgadas etc. E o problema, possivelmente, se resume em conciliar o imenso material humano e a poderosa parafernália técnica num ritmo fluente que terá de transmitir aquela sensação de desgôsto e pessimismo legada por Pasternak à posteridade.

Correio da Manhã
12/08/1965

 
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