Primeiro apareceu em dupla com Dean Martin (agora um dos valetes da troupe de Sinatra). Ele era engraçado, o companheiro, além de cantar, ensejava a tabelinha para os gags, mas as fitas, em sua maioria, eram inconsequentes - destinadas, quando muito, para um público no máximo juvenil ou também inconsequente. Depois, um dos melhores comediógrafos de Hollywood, Frank Tashlin, resolveu experimentar Jerry, que rendeu bastante e realizações de maior nível, especialmente Rock-a-Bye Baby (Ama-Sêca por Acaso). Um dia, então, o meninão fêz-se diretor de ciriema. E o balão da surprêsa começou a encher. O que poderia parecer uma aventura irresponsável, um capricho do engraçadinho, foi-se ampliando até as dimensões do impacto.
The Ladies' Man (O Terror das Mulheres), além de ser das coisas mais hilariantes que o cinema americano produziu. Nos últimos tempos, denotava um ritmo pujante, contendo inclusive algumas inovações no trato da linguagem específica do filme. The Nutty Professor (O Professor Aloprado) - Jekyl Lewis & Jerry Hide - concretizando uma apropriação ao inverso da história famosa (e várias vêzes filmada) de Robert Louis Stevenson, reiterou tôdas as qualidades do cômico-cineasta (e nunca cineasta cômico). E, agora, com The Patsy (O Otário) procura também, em parte, até meditar – entre os espasmos do humor – na própria condição do homem engraçado que Hollywood fabrica e terá sempre de fabricar para manter permanentemente azeitada a sua poderosa machine-fun - a metralhadora de risos que provê o contrametralhar de ingressos nas salas de espetáculo. E quando - como hoje – a comédia se agita num certo marasmo, Jerry Lewis acende um espasmo de esperança.
Correio da Manhã
16/07/1965