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Malle e 2 Marias: Viva Moreau, Viva BB

Republica de San Miguel, América Central. Peripécias. revolucionárias. Duas mulheres inventam o strip-tease no comêço do século. Duas Marias. Depois, caem no fervor de uma revolução camponesa, apaixonando-se ambas pelo líder do movimento. Morre o revolucionário. Mas a primeira Maria (Moreau) retorna continuando a obra do amado: subleva novamente os camponeses. Mas fica em perigo. É quando a segunda Maria (Bardot), prendada em guerrilhas, vem a salvá-la, deixando de lado a rivalidade passional. E as duas novamente juntas, auxiliadas pela troupe do music-hall, levam a revolução às últimas consequências, à vitória final, à morte do tirano de San Miguel. Un pueblo libre.
Terminou a revolução, porém não terminaram ainda as reviravoltas da trama. Pois as duas Marias são forçadas à fazer tudo para escaparem de um santo padre que, havendo capturado o trem El Libertador, procurava, em têrmos de sermão, agrilhoá-las àquilo que o mito Moreau (a densidade existencial, a liberdade essencial da mulhar responsável) e o mito Bardot (a primitiva liberdade do estar, que desconhece a originalidade do pecado) exatamente representam o contrário.
Louis Malle, o diretor, também produziu o filme e foi responsável pelo cenário, além de ter feito a adaptação e os diálogos juntamente som Jean-Claude Carrière. Malle iniciou sua carreira filmando Jeanne Moreau, que, na época, era sua mulher na vida real. Assim começou com
Ascensor para o Cadafalso, um drama no estilo policial, consumado sob a influência da tradição dos especialistas de Hollywood e, logo depois, dirigiu Jeanne para a abertura da glória, com o superfalado, supercivilizado, Les Amants, uma das colocações éticas e psicológicas mais perfeitas que o cinema já fêz da moral burguesa e do vazio de uma classe, ou melhor, a elite do vazio. Aliás, por ocasião do lançamento de Les Amants no Festival do Cinema Francês, organizado em 1959 pelo Museu de Arte Moderna, Louis Malle estêve entre nós e discutiu vários problemas de linguagem cinematográfica.
A seguir, já com o suporte do reconhecimento de grande parte da crítica mundial, realizou aquêle que talvez seja o seu maior filme, Zazie dans le Metrô, baseado no romance homônimo de Raymond Queneau, aliás a sua primeira obra fotografada em côres. A quarta fita é Vida Privada, a primeira em que dirige Brigitte Bardot, contracenando com Marcello Mastroiani. E, há poucó, vimos o seu exceIente Trinta Anos Esta Noite (Le Feu Follet) - neurose - angústia - vazio - alienação - enfim, o suicídio, lógico, inobjetável, com Maurice Ronet (ao qual já dirigira em Ascensor para o Cadafalso) em memorável interpretação.
Agora, Viva Maria, rodada em côres, procurando um ritmo de féerie, parece constituir uma experiência nova do cineasta, tanto em atmosfera como em estilização. E a novidade de juntar BB e Moreau, as duas estrêlas máximas do cinema francês - dois mitos do cinema moderno, num filme de aventuras, porém de tratamento certamente intelectualizado. Maria Maria: as estrêlas se encontram e forjam um mesmo foco de convergência.

Correio da Manhã
28/04/1966

 
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