Há quatro anos, o CORREIO DA MANHÃ inaugurava a publicaçao, em página inteira, das listas dos melhores filmes do ano, na opinião dos vários críticos, dêste e de outros jornais, integrantes do Conselho de Cinema. A página de hoje, com os melhores de 1965, continua essa tradição. As imitações surgidas ou por surgir, são inúteis. A seleção dos melhores filmes do CORREIO DA MANHÃ eleita, anualmente, também por uma seleção de críticos. Como tôda seleção, a que apresentamos poderá suscitar divergências - os próprios críticos que a integram não têm, naturalmente, os mesmos pontos de vista: e suas divergências dão ao inquérito ritmo e colorido. Mas ninguém poderá divergir quanto à qualidade da seleção, constituída pelos críticos mais expressivos, tranquilamente livre do recurso do amadorismo ou de qualquer partidos.
Há quatro anos, os críticos elegeram Morangos Silvestres, de lngman Bergman, o melhor; em 1963 foi a vez de O Homem Que Matou o Facínora, de John Ford; em 1964 o Conselho indicou O Processo, de Orson Welles. Hoje, o mais votado é o discutido Oito e Meio, de Federico Fellini, seguido de Terra de um Sonho Distante, de Elia Kazan, e de O Silêncio, de Ingmar Bergman (visto em sua versão integral, pelos críticos; e não na versão mutilada que chegou até o público).
O sistema escolhido para a eleição é o mesmo adotado nas vêzes anteriores: ao primeiro colocado na lista de cada crítico atribui-se dez pontos ao décimo um ponto - e é êste sistema de mérito inversamente proporcional à classificação que registra, a nosso ver, um resultado mais justo e coerente. Um dos críticos, entretanto, preferiu atribuir número igual de pontos aos dez filmes que apontou, classificando-os por ordem alfabética. Respeitamos seu ponto de vista, computamos seus votos. Afinal é uma eleição livre e direta.
Correio da Manhã
30/12/1965