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Xerloque da Silva

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Gincana

O organizador da gincana chamou todos os casais de candidatos e disse: a partida está marcada para amanhã, às 8 horas, lá de Cordovil; a chegada é no fim da Aveniada Delfim Moreira, no Leblon - os vencedores ganharão essa taça de ouro, onde beberão champanha oferecida pela Garôta da Zona Sul. "E quais são os obstáculos que o senhor vai mandar colocar, além de paradas obrigatórias?" Indagou um candidato já de boné azul. "Nada disso será necessário"- respondeu o organizador - "bastam os obstáculos do dia-a-dia, ou seja, buracos da Light, da Telefônica, do Departamento de Esgotos, da SURSAN, as escavações para o metrô, além daquelas naturais legadas pelas chuvas". E ainda arrematou: "O Rio é uma cidade genial para gincanas". Todos concordaram.
Rugiram os motores às 8 horas do dia seguinte, já debaixo da chuva. Eram 39 concorrentes, entre pilotos de fuscas, gordines, corcéis, opalas, rurais, kombis e até um rolls-royce. Depois de meia hora de corrida, a Telefônica já havia tragado dois veículos, a Light mais dois. Um outro foi sufocado por uma barreira de lama que caiu por causa das chuvas. Na altura do Méier, uma cano de água explodiu um jato e projetou um gordine sôbre a calçada. Um fio de alta tensão tombou sôbre uma rural, perto de São Cristóvão.
No palanqué de chegada, sob guarda-chuvas, os organizadores, autoridades, a Garôta da Zona Sul e o próprio juiz de chegada aguardavam olhando os relógios. Nada - nada - nada. Fizeram espocar a primeira garrafa de champanhe, a fim de matar o tempo.
Enquanto isso, um casal que competia dentro da kombi nº 19 foi dar carona a dois sujeitos e acabou sendo assaltado, amordaçado e currado. E a kombi, roubada, partiu em direção oposta. Na Avenida Presidente Vargas um ônibus, a 120 quilômetros, esmagou um corcel. Ao mesmo tempo, na descida de uma ladeira, outro candidato não pôde evitar que o seu carro quicasse sôbre um buraco da Light e mergulhasse dentro da lixeira de um caminhão do DLU, ali estacionado. Quanto ao candidato de um opala, que vinha na frente, derrapou naquela curva mal construida do Atêrro e projetou-se no espaço.
No palanque, o pileque já era geral. A Garôta da Zona Sul, no meio do holocausto, foi bolinada pelo juiz de chegada e atirou-lhe uma garrafa. O organizador saiu correndo, sob a chuva, à procura de algum candidato. Dez horas da noite - ninguém conseguiu chegar, a não :er um casal que completou o percurso a pé e foi desclassificado. Em paralelo, a taça sumiu. Todo mundo, em côro, começou então a cantar "Ninguém é de Ninguém" e o palanque ruiu.

Correio da Manhã
15/04/1969

 
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Correio da Manhã 26/01/1969

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