Com a entrada da TV Manchete no circuito e os reforços de programação que a Globo encetou, o nível de lançamento de filmes pela televisão tornou-se bem melhor. Em pouco tempo, tivemos obras como 2001: Uma Odisséia no Espaço, …E O Vento Levou, Alta Ansiedade, A Doce Vida, Kismet etc.
Em paralelo, as comparações dos efeitos dos filmes entre telas de cinema e minitelas de TV vão ter duração marcada, pois os telões não demoram em chegar aos lares. De qualquer maneira, não é em todos os espetáculos que se nota essa diferença porque os condicionamentos do lar e de uma sala pública de projeção são diversos. Dentro do cinema, estamos sob as ordens do operador, seja em material de foco, som, luminosidade etc. Em casa pilota-se o aparelho de várias maneiras: ajeitam-se as antenas internas, aumenta-se ou diminui-se a vivacidade da cor e, da mesma forma, o som gradua-se o brilho e os contrastes. O espectador, de certo modo, confere parte do tom ao filme.
Quanto à dublagem, trata-se de um mal inevitável para o público alfabetizado. Mesmo assim vai o telespectador acostumando-se com ela e, como atenuante, vale registrar que estão caprichando mais quanto à escolha e adequação das vozes aos personagens. Por exemplo, o desafio que era a voz do computador Hal, em 2001, foi razoavelmente enfrentado. Esta obra de Kubrick, entretanto, é quase muda e, com exceção da fala do computador, a dos outros personagens é bem fria como se já fosse, por si uma dublagem. Já no caso de ...E O vento Levou, com seu caráter novelesco, as personagens falam muito e os principais atores estão aceitavelmente dublados.
Resta observar que, se o nível da programação subiu, também melhorou a seleção temática. Estamos, por exemplo, livres daquelas fitas psiconeuróticas que a Globo apresentava quase todos os sábados, no horário nobre, de casais em conflito, filhos desajustados e assim por diante. Em lugar deles repitam sempre Chaplin ou Mack Sennett que jamais cansam.
Última Hora
26/09/1983