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William CA

William Carlos Williams

“Dr. Williams", "Bill ou Bull": a falta de método, a produção em massa, delirante ecletismo em todos os sentidos (a lirica e a época, a "participação" e o "intimismo", a imagem pura e o coloquial), um derramar de influência, tudo entretanto somado e ou multiplicado pelo inconformismo e, por conseguinte, pela invenção.
Não a invenção estrutural, dirigida, de um Pound, nem a invenção também conscieonte, na frequência de algumas constantes (valorização dos recursos tipograficos, uso substantivado do elemento espaço, utilização expressionista da letra), de um Cummings, mas o "achado" ocasional, a solução do momento: uma contribuição menor sob êsse aspecto, porém mais um sinal de insatisfação contra um
modus faciendi já, na época, obsoleto, calcado em surradas marcações métricas, velhos formulários de exprimir o "indizivel" e o "inefável”.
Vertentes positivas na obra de Williams: a) - predominio do phanos (imagism, not amygism), numa visualização sintética; um quase haikai, o poema-pílula, acionando a imagem-relampago num "mim de minuto". (Guimarães Rosa), como também em algumas cancioes de Lorca: b) - a emoção coisificada, através da nomeação de animais e/ou objetos comuns, muitas vezes sob a predominância de uma atmosfera cromática; c) - a logopéia: nêle cristalizada pela técnica de repetição de palavras e, aqui, um parentesco com João Cabral, criando uma tensão de nivel semântico - a narrativa em circulo, a peça-minuto; d) - apêlo a recursos, como parenteses, tmeses, travessões, o enjambement constante, numa função objetivante orgânica, na busca de uma adequação isomórfica ao sentido das palavras; e) - o título e Klee: em analogia à concepção das telas de Paul Klee, o título entra em conflito, por justaposição, com o próprio poema, deduzido em seu conteudo linear: f) - o Williams master: em determinados poemas, alguns mais extensos: a dinamica de uma imagética, não a imagem-estátua, o arabesco adjetivante, mas sim movimento, economia - ação & concentração. Exemplo típico: seu "Portrait of a lady" (que apresentamos em tradução), contrapartida visual de um tema também presente em Pound ("Portrait, d’une Femme") e em Eliot ("Portrait of Lady”).
Um poeta sem método para construir uma obra coerente em seu todo, porém consciente da primazia formal na obra de arte: "Deixe o metafísico tomar conta de si mesmo, as artes nada têm a ver com isso". / "Nada há de sentimental na máquina, e: um poema é uma pequena (ou grande), máquina feita de palavras. Quando digo que não existe nada de sentimental num poema, quero dizer que não pode haver nele nenhuma parte, como em qualquer outra máquina, que seja redundante''.
"Quando um homem faz um poema (...) toma as palavras como as encontra, interrelacionadas em torno dêle, e compõe-nas - sem distorção que desfiguraria seus significados exatos – numa expressão intensa de suas percepções e anseios, que elas podem constituir uma revelação dentro da fala que êle usa. Não é o que diz que importa como uma obra de arte, é o que faz, com tal intensidade perceptiva, que vive como um movimento intrinseco próprio a fim de constatar sua autenticidade. Se sua atenção é despertada agora e depois para alguma linha bonita ou sequência de soneto, pelo que lá está dito, que seja. Para mim, todos os sonetos dizem a mesma coisa sem importância. Que interessa o que a linha diz?"
..."Não há poesia de mérito sem invenção formal, pois é na forma implicita que as obras de arte consumam seu sentido exato, no qual mais se parecem com a máquina para dar à linguagem a sua mais alta dignidade, sua iluminação em seu ambito nativo".

RETRATO DE UMA DAMA

Tuas coxas - macieiras
cujas flôres roçam o céu.
Que céu? O céu -
onde a sandália de uma dama
pendurou Watteau. Os teus joelhos
são uma brisa austral - ou
rajada de neve. Ora! que
espécie de homem era Fragonard?
- como se isso alguma coisa
respondesse. Ah, sim - sob
os joelhos, já que o tom
goteja dêsse modo, diga-se
um daquêles brancos dias de verão,
a longa relva dos tornozelos
teus tremula sôbre a praia -
Que praia?
a areia adere a
meus lábios -
Que praia?
Ah, pétalas talvez. Como
eu saberia?
Que praia? Que praia?
Eu disse pétalas de macieira.

O POEMA

Tudo está
no som. Uma toada.
Raramente uma canção. Devia
ser uma canção - feita de
minúcias, vespas,
uma genciana - algo
imediato, tesoura
aberta, olhos
de uma dama - despertando
centrífuga, centrípeta.

nota e tradução José Lino Grünewald

Folha da Noite
26/03/1961

 
Cinco poemas
vários autores Grandes poetas da língua inglesa do século XIX

Introdução, argumento e cap. I
Stéphane Mallarmé Igitur ou a loucura de Elbehnon

Canto I
Ezra Pound Os cantos

Canto II
Ezra Pound Os cantos

Canto III
Ezra Pound Os cantos

Alguns princípios básicos de cinematografia
Sergei Eisenstein Jornal do Brasil

Estilo e estilização
Bela Balazs Jornal do Brasil

Métodos de montagem
S. Timoschenko Jornal do Brasil

A poesia do filme
Roger Manvell Jornal do Brasil

Dois poemas de Ezra Pound
Ezra Pound Jornal do Brasil

Observações sobre o cinema
Susanne K. Langer Jornal do Brasil

O princípio cinematográfico e o ideograma
Sergei Eisenstein Jornal do Brasil

O princípio cinematográico e ideograma - parte II - conclusão
Sergei Eisenstein Jornal do Brasil

Historieta do Sonho ao Ar Livre
Federico Garcia Lorca Jornal do Brasil

Retrato de uma dama
William Carlos Williams Jornal do Brasil

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