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Eu e meu ofício ou arte religiosa

Dylan Thomas

A poderosa dicção de uma linha exponencial na tradição da poesta inglesa, firmada na fase elizabethana (Webster-Turner, com a posição paralela de Donne, passando pelo barroco de Crashaw, indo até Blake e com ressonâncias em Keats), chegou ao período moderno na obra exemplar de Hopkins e, após fundar algumas vertentes na poesia de Hart Crane, tem o seu ciclo condignamente encerrado com Dylan Thomas.
Falecido ainda bem moço, prometia Thomas, no que se constata em certos poemas (inclusive alguns em formato geométrico) e na peça radiofônica ''Under Milk Wood", um redimensionamento ainda mais atualizado e instigante quanto a uma visão de vanguarda para os meios de expressão.
O tipo de dicção de sua obra em verso compreende aquela concentrada marcação sonora, com o uso renitente das assonâncias e aliterações, cuja especulação aparentemente abusiva e aliada a uma imagética insólita, permite aquela distorção violenta do fundo semântico, trazendo ao complexo formativo da realização uma consubstanciacão expressionista. Muitas vêzes, esta consubstanciacão traduz uma nítida fixação alegorica justamente facultada pela ambiguidade de significado, propiciada por uma cerrada densidade metafórica, que se consiste na sua mais direta e qualificada herança da tradição elizabethana.
ln My Craft or Sullen Art, embora não vinculado a algumas das características peculiares de Thomas, principalmente as que estão afeitas ao olho de vanguarda, dá bem uma idéia do elevado poder de sua dicção e de suas imagens. Ao mesmo tempo, é um dos seus poemas considerados menos herméticos, com um menos arrojado jogo metafórico, salientando o fluxo discursiovo de maneira mais direta, em cadência regular. Talvez, por isso mesmo, e devido à sua temática deduzível, seja uma de suas realizações mais famosas.

Em meu ofício ou arte rigorosa
na sossegada noite exercito
quando apenas uiva a lua e ao leito
quedam os amantes com todas ânsias
nos braços concentradas, eu trabalho
à luz cantante, nem por glória ou pão
ou pela permuta e pompa de encantos
em palcos de marfim, mas pela saga
simples em seu mais quieto coração.
Não ao orgulhoso, alheio, da lua uivante
escrevo nestas espumadas páginas
nem também ao distante falecido
com seus rouxinóis e salmos, e sim
aos amantes, seus membros circundando
todo o padecer dos tempo, aqueles
que não prestam louvor nem recompensa
nem se importam com meu ofício ou arte.


nota e tradução José Lino Grünewald

Tribuna da Imprensa
23/07/1960

 
Cinco poemas
vários autores Grandes poetas da língua inglesa do século XIX

Introdução, argumento e cap. I
Stéphane Mallarmé Igitur ou a loucura de Elbehnon

Canto I
Ezra Pound Os cantos

Canto II
Ezra Pound Os cantos

Canto III
Ezra Pound Os cantos

Alguns princípios básicos de cinematografia
Sergei Eisenstein Jornal do Brasil

Estilo e estilização
Bela Balazs Jornal do Brasil

Métodos de montagem
S. Timoschenko Jornal do Brasil

A poesia do filme
Roger Manvell Jornal do Brasil

Dois poemas de Ezra Pound
Ezra Pound Jornal do Brasil

Observações sobre o cinema
Susanne K. Langer Jornal do Brasil

O princípio cinematográfico e o ideograma
Sergei Eisenstein Jornal do Brasil

O princípio cinematográico e ideograma - parte II - conclusão
Sergei Eisenstein Jornal do Brasil

Historieta do Sonho ao Ar Livre
Federico Garcia Lorca Jornal do Brasil

Retrato de uma dama
William Carlos Williams Jornal do Brasil

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